Um dia de super-herói


E hoje o Cookie deixou sua bandana de cão terapeuta de lado e vestiu capa de super herói. E eu, como mãe, nunca imaginei que fosse presenciar uma cena tão bonita como a de hoje. 

Acompanhar um terapeuta de crianças que lutam contra uma doença tão cruel como o câncer tem um peso bem sacrificante na maioria das vezes. A gente sente a dor da morte, a dor da família, a dor da mãe que perde seu filho. 

Eu ainda lido com a dor que meu Cookie sente toda vez que perde um "grande amigo" nessa batalha. O vazio no olhar dele. A confusão que tudo isso acaba gerando na ingenuidade dele.
Mas entendemos que esta é a missão dele aqui na Terra.


Eu já disse isso por várias vezes e quem o conhece pessoalmente pode reforçar: o Cookie é diferente. Ele tem uma sensibilidade fora do comum e talvez fora do alcance do nosso entendimento.


Só que hoje foi diferente de tudo que já havíamos vivenciado. Ele nunca teve contato, como cão terapeuta, com crianças tão novas. A visita foi para crianças de 0 a 3 anos de idade. Eu procurei me envolver em muita tranquilidade e confiar no meu filho. Eu tinha plena certeza que o Cookie conseguiria lidar com muita leveza, como sempre faz.


E foi assim que ele chegou, vestindo sua capa de super herói, naquela sala colorida. Eu o conduzi, para cada criança, para que eles pudessem se apresentar. E sem que eu dissesse nada, o Cookie entendeu que era necessário chegar com mais calma. Meu filho se "apresentou", sentando na frente de cada um, beijando suas mãozinhas e dando o sorriso mais bonito que já vi no rostinho dele. 


E eu vi brotando um sorriso tímido, um brilho no olhar daqueles que estavam ligados em fios que forneciam a cura de tudo aquilo. Alguns arriscaram pega-lo no colo e o Cookie, mais uma vez, com uma delicadeza enorme que eu não imaginei que ele pudesse ter, se aninhou em cada um que o quis mais pertinho. Deu amor. Deu carinho. Deu cumplicidade. Deu esperança.


No fim, o que era uma visita para crianças de 0 a 3 aninhos, já havia virado uma reunião alegre de crianças até 10 anos.


Quando o super herói já estava para sair dali, pois sua visita havia acabado e as crianças também precisavam descansar, uma delas nos parou para dar um último beijo no Cookie. Amanhã ela vai fazer uma cirurgia importante e então ela disse, olhando nos olhos do meu filho...


"Cookie, será que você pode me operar amanhã? Porque super herói nunca falha"...


Eu não tive reação a não ser segurar as lágrimas e afrouxar a guia dele. O Cookie? Com maestria, abaixou a cabeça para que ela pudesse fazer um carinho e quando ela aproximou o rosto, ele deu um beijo e eu senti que naquele gesto ele estava dizendo que ia ficar tudo bem.

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