A dor da perda

O Cookie é um cachorro muito especial. E juro, não é uma afirmação de mamãe coruja. Quem o conhece pessoalmente pode confirmar o  que estou dizendo, mas vou tentar expor em palavras o que aconteceu conosco recentemente. É textão, mas eu te garanto que vai valer a pena.

Cookie sempre foi muito calmo. Quando chegou na nossa casa, os seis irmãos coelhinhos já estavam e ficamos apreensivos com a adaptação de todos. Como o Oreo (foto ao lado) é um coelhinho deficiente pois não tem uma das patinhas da frente, ele estava em um cercado na nossa sala. E então o contato do Oreo e do Cookie sempre foi maior. O que eu jamais imaginava é que eles teriam um laço de amizade tão forte.

Quando o Cookie quebrou a patinha, por recomendação médica, ele ficou restrito em um cercado também. Porém, no começo, este espaço restrito ficou no nosso quarto e então os dois não se viam mais. Em poucos dias, notei que o Oreo já estava abatido e liguei imediatamente para o seu veterinário. Tentando entender o que havia acontecido, eu percebi que apenas um fato havia mudado na rotina de casa. Quando aproximei o Cookie do cercado, Oreo se aproximou com muita alegria. Com seu jeito de se expressar de um coelho, ele me mostrou que estava sentindo falta da "amizade" dos dois. Ambos colocavam seus brinquedos beirando o cercado e entendiam que estavam dividindo os brinquedos, mesmo que isso não acontecesse e fosse só na imaginação dos dois. 


Recentemente notamos que a nossa hamster Nori estava letárgica e resolvemos leva-la à clínica veterinária. Apesar da idade avançada, não era normal aquela apatia. Para uma qualidade de vida maior, optamos por construir um aquário para que ela vivesse confortavelmente. Por ser da raça sírio, Nori sempre foi grande e um pouco gordinha. 

Ela ficou internada em observação e para a nossa surpresa, Cookie sentiu a falta da irmãzinha roedora. O que nos surpreendeu porque a Nori era uma ratinha bem arisca e que quase não tinha interação conosco e muito menos com os cães. Naquela noite, ele não quis se alimentar direito. O que é raro acontecer após a mudança para alimentação natural. 

Ele não saiu de perto do aquário, conforme a foto ao lado. Nota-se o olhar triste dele. Tive que fechar o acesso ao quarto. E ainda assim, ele não dormiu e começou a perambular pela casa, resmungando. Quando fui procura-lo, ele estava na porta da nossa casa. Tentei, por várias vezes, traze-lo para o quarto para que dormisse, mas tudo foi em vão. 



No dia seguinte, ele rejeitou o almoço e então percebi que aquela tristeza não ia ser passageira como imaginava. Resolvi leva-lo comigo para buscar a Nori que estava liberada. Era aparente o cansaço dele já que não havia dormido, mas ao sentir que sua irmã estava ali, Cookie parecia mais tranquilo. O que eu jamais esperei foi a reação dele não me deixar colocar a caixinha de transporte dela em nenhum outro lugar a não ser do seu lado. Como dá para notar na foto, o banco ficou apertado para os dois, mas ele fez questão de ficar junto. E eu, como mãe, e preocupada com a saúde tanto de um quanto de outro, deixei.

Infelizmente a nossa Nori faleceu. Ela ainda retornou para a clínica, fez uma operação de emergência devido a uma infecção uterina (piometra), porém não resistiu no pós operatório. Conseguimos enganar o Cookie, mantendo o aquário montado como se ela estivesse ali.

Porém ele só ficou mais tranquilo depois que trouxemos o corpinho dela e enterramos em um vaso de flores aqui em casa. Acreditamos que ele sinta o cheiro dela e mesmo que não se vejam mais, Cookie entende que ela está ali e está tudo bem.

Após quase um mês da morte dela, Cookie está bem. Encontrei ele algumas vezes deitadinho bem próximo ao vaso. Apesar da minha dor, eu sei que a dele foi muito maior. E isso realmente me preocupou. 

Para casos assim é recomendado fazer uso de florais como rescue. Mas foi tudo tão rápido que não ia surtir efeito a tempo. Perdemos a nossa Nori em uma semana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário